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Quando discursava,
seu intelecto visivelmente iluminava sua face:
de presença sempre cativante,
nessa época ele havia se tornado ainda mais encantador:
uma leve umidade escorria de sua fronte;
Plotino irradiava benignidade.
(Porfírio, Sobre a Vida de Plotino…)

scribatus_letra_o[1]conceito de Uno atribuído a Plotino (c. 205 – 270) representa uma verdadeira ruptura com o modo tradicional grego de pensar, que até então identificava a unidade com o Pensamento, o Ser. Conhecer o conceito plotiniano de Uno é conhecer uma das principais raízes que, um pouco mais tarde e ao longo da Idade Média, constituiriam o próprio conceito de Deus no cristianismo. Tão relevante é à formação do cristianismo dos primeiros séculos da era cristã, que se credita a ele a fonte que teria levado Agostinho às reflexões que lhe serviram de base para formulação de sua doutrina; porquanto fora através da leitura de Plotino e de Porfírio que o Bispo de Hipona, por fim, conceberia então o conceito do Ser eterno e imutável, a realidade imaterial que transcenderia seu espírito (Bochet, 1996:41). Foram os conceitos do neoplatonismo que conduziram Agostinho à crença de que o universo não somente havia surgido de um Princípio Uno, mas que também tendia a retornar à Unidade (Marrone, 2008:30).

plotinusAo que parece, Plotino era natural Licópolis, no Egito, e fora discípulo de um dos maiores filósofos gregos do período, o alexandrino Amônio Sacas (c. 175 – 242). Amônio de Sacas é considerado por alguns o iniciador do neoplatonismo (Reale, 2008:5), enquanto outros veem em Plotino o próprio fundador dessa linha filosófica (Laurent, 1996:417). Todavia, discordâncias à parte, o fato é que não há muito sobre a vida de Plotino e praticamente tudo que existe a seu respeito vem do breve texto “A Vida de Plotino”, escrito por um de seus mais próximos discípulos, Porfírio de Tiro. Alias, fora também Porfírio quem compilaria a obra plotiniana, organizando-a em cinquenta e quatro tratados, distribuídos em seis grupos de nove tratados cada, chamados de Enéadas (Bezerra, 2006:61).

Na Sexta e última Enéada, Plotino investiga a hipótese do Uno, também citado como Uno-Bem (Bezerra, 2006:66). Conforme Plotino, o Uno – o Primeiro Princípio – é o fundamento e o princípio absoluto (Reale, 2008:41). Assim, em termos hierárquicos, o Uno antecede e gera o Pensamento, que, por sua vez, é identificado com o que ele chama de Espírito ou Inteligência (Nous). Sem o Primeiro Princípio, o Espírito nada seria (Laurent, 1996:423). Ainda segundo a elaboração plotiniana, o Uno se caracteriza por ser absolutamente Uno, e não-múltiplo; sem limites; sem extensão, nem figura; sem movimento, nem repouso; atemporal, sem sentido, nome ou conhecimento (Bezerra, 2006:71).

plotinoO Uno ainda constitui a primeira das três hipóstases que compõem o sistema concebido por Plotino. As demais são: a segunda hipóstase, o já citado Espírito; e a terceira hipóstase, denominada de Alma. As hipóstases são sucessivas e ocorrem através do que Plotino denomina Processão (Próodos). Assim, o Uno, por ser livre, através de sua atividade e pela Processão, gera o Espírito. Este último, a seu turno, também pela Processão, gera a terceira e derradeira hipóstase, a Alma, o mundo sensível. Como complemento, seguindo com a teoria de Plotino, haveria ainda o – por assim dizer – caminho de volta. Nesse contexto, paulatinamente, hipóstase por hipóstase e através do que ele entende como Conversão (Epistrophé), caberia ao mundo sensível retornar ao Uno e, por conseguinte, à perfeita liberdade.

Assim foi concebida a idéia do Uno por Plotino: gerador de todas as coisas e, ao mesmo tempo, destino de tudo o que foi gerado. Alguma semelhança com o Deus cristão?

Bibliografia:

BEZERRA, Cícero Cunha. Compreender Plotino e Proclo. Petrópolis: Vozes, 2006.

BOCHET, Isabelle. “Santo Agostinho”; in: LABRUNE, Monique; JAFFRO, Laurent. A Construção da Filosofia Ocidental – Gradus Philosophicus. São Paulo: Mandarim, 1996; pp 41-51.

LAURENT, Jérôme. “Potino”; in: LABRUNE, Monique; JAFFRO, Laurent. A Construção da Filosofia Ocidental – Gradus Philosophicus. São Paulo: Mandarim, 1996; pp 417-425.

MARRONE, Steven P. “A Filosofia Medieval em seu contexto”; in: McGRADE, A. S. (org.). Filosofia Medieval. Aparecida: Ideias & Letras, 2008; pp 27-70.

PORPHYRY, “On the life of Plotinus and the Arrangement of his Work”; in: MACKENNA, Stephen (Ed.). Plotinus – The Enneads. New York: Larson, 1992; pp. 1-21.

REALE, Giovanni. Plotino e Neoplatonismo. São Paulo: Loyola, 2008.

scribatus_letra_Há muita especulação religiosa a respeito das motivações e do valor das Cruzadas. Elas são válidas. Porém, outros fatores, menos conhecidos, podem ser identificados como causas do avanço ocidental em direção ao Oriente. Um desses fatores foi a premente necessidade de se dar sentido e destino a um certo contingente de força, que subsistia um tanto que ociosa na Europa daquela época.

Acontece que a Europa, por conta de uma série de decisões, ao final do século XI, possuía uma enorme gama de Cavaleiros sem qualquer utilidade definida, propriamente dita. Boa parte destes eram formados pelos filhos da nobreza que, impedidos de receberem terras, eram treinados nas artes da batalha. Grosso modo, visando evitar a fragmentação das propriedades dos feudos, havia sido instituído na Europa uma lei que impedia a repartição das terras do senhorio entre todos os seus herdeiros. Assim, os senhores que possuíssem mais de dois filhos contavam com poucas alternativas de futuro para os demais herdeiros. Acontece que, enquanto que o primogênito era o herdeiro natural de seu pai, o costume reservava aos filhos caçulas um lugar entre o clero. Desse modo, aos filhos centrais, por vezes chamados de segundos, restavam as academias militares, onde eram treinados nas artes da guerra e da cavalaria.

clermont_councilApós algumas décadas maciçamente produzindo guerreiros, logo a Europa se viu com uma contingência enorme de soldados totalmente preparados para a luta, porém sem a atividade para a qual estavam destinados. Como resultado, ocorreu um aumento bem expressivo da violência interna na região. Como resolvê-la?

Uma das soluções veio por intermédio do Papa Urbano II, quando do Concílio de Clermont em 1095. Na ocasião a Igreja Católica convocou todos os Cavaleiros do ocidente a socorrerem os cristãos orientais, empreendendo uma Guerra Santa, visando a tomada de Jerusalém. Assim, a existência de toda aquela força bruta incontida passou a ter, subitamente, um significado religioso, focado na conquista da Terra Santa. Nasciam, dessa feita, as Cruzadas.

Assim, em que se pese todas as concepções românticas acerca dos Ideais da Cavalaria e de seu sentido religioso, não deixa de ser interessante também saber que uma das principais motivações que lançaram os Cavaleiros às Guerras Santas foi mesmo a urgência de se desviar a agressividade deles, da Europa para o Oriente.

Fonte da imagem: http://en.wikipedia.org/wiki/Image:CouncilofClermont.jpg.

. Concílios

scribatus_letra_o[1]s Concílios são uma das formas instituídas pela Igreja para discutir temas e tomar resoluções.

Mais especificamente, os Concílios são assembléias de clérigos, os quais se reúnem para deliberar sobre assuntos relacionados tanto sobre a doutrina eclesiástica quanto sobre a religiosidade. Franco Junior (2004:181) classifica os Concílios em três tipos básicos. A saber: Ecumênico, Provincial e Sínodo. Conforme este autor, o Concílio Ecumênico é aquele composto por Bispos convocados pelo Papa. Já os Concílios Provinciais são reuniões dirigidas pelos Arcebispos, nos quais estão presentes apenas bispos locais da província eclesiástica em questão. Por sua vez, os Sínodos são congregações dirigidas por Bispos, os quais reúnem apenas o clero de sua respectiva diocese. Os Concílios Ecumênicos, de certa forma, ganham relevância pois representam a vontade da Igreja, sob uma perspectiva mais ampla ou universal (Franco Junior, 2004: 68).

niceia_councilAcredita-se que o costume dos Concílios remonta às reuniões ocorridas ainda na Idade Antiga, por volta do ano 50 d.C., a partir de pequenos grupos supostamente conduzidos pelos Apóstolos, onde eram discutidos assuntos relacionados à observância das leis judias, bem como o ensinamento da então nova religião cristã. Porém, tais reuniões, longe de representarem uma instituição formalmente constituída, possuíam um caráter bem privado, sem conseqüências diretas de grande relevância. Assim, apenas alguns séculos mais tarde, na passagem da Idade Antiga para a Alta Idade Média, é que se considera a realização institucional dos primeiros Concílios. Deste modo, são os Concílios de Nicéia (325), de Constantinopla (381), de Éfeso (431) e da Calcedônia (451) aqueles avaliados como os quatro Concílios inaugurais da cristandade. Tamanha é a relevância quem têm esses Concílios à formação da Igreja Católica Romana, que tanto Papas quanto diversos autores eclesiásticos são levados a fazerem paralelos entre eles e os Quatro Evangelhos, entendendo-os como os quatro rios do paraíso (Metz, 1971: 15).

Ainda conforme Franco Junior (2004: 68), ocorreram 19 Concílios Ecumênicos entre os séculos IV e XVI. Assim, essa instituição permeou toda a Idade Média, por um lado acompanhado seus acontecimentos e, por outro, atuando diretamente na sociedade medieval.

Bibliografia:

FRANCO JÚNIOR, Hilário. A Idade Média – Nascimento do Ocidente. Editora Brasiliense, São Paulo: 2004.
METZ, René. História de los Concílios. Oikos-Tau, Barcelona: 1971.
Fonte da imagem: Primeiro Concílio de Niceia

gotica_d_negraos temas pertinentes à Idade Média, poucos chamam tanto a atenção quanto as peregrinações. Pode-se até mesmo afirmar que essa prática religiosa acabaria por se tornar uma das características mais marcantes desse período histórico. Porém, quais razões a motivavam e quais eram os destinos preferidos dos peregrinos? E quanto à Igreja Católica, o que ela pensava respeito dessa prática?

Considerada uma espécie de obra ascética, a peregrinação exigia abandono voluntário (1) da terra nativa do peregrino. Mais que isso, ela também exigia o completo abandono do modo de vida daquele que partia. Conforme Zumthor (1994, 178 ) o peregrino renunciava a seu trabalho, fonte de seu sustento cotidiano, trocando a segurança e o conforto de seu lar, seu espaço homogêneo, conhecido, familiar, pela heterogeneidade do espaço desconhecido, pelo imponderável. Assim, desde sua partida, o caminhante se transformava a um só tempo em estrangeiro e, de certa forma, também em miserável.(2)

Por vezes motivada por um desejo de cura, outras vezes visando algum logro espiritual, para depois ocorrer devido a votos e promessas ou simplesmente como pagamento por graças conseguidas, as peregrinações normalmente têm em seu âmago alguma motivação relacionada com a fé de uma pessoa ou de um grupo de pessoas. Aos poucos, a peregrinação se tornaria um fenômeno encontrado em praticamente todas as religiões.

Durante a Idade Média, as peregrinações se tornaram como que uma metáfora, relacionando a jornada humana, por um lado, à salvação e, por outro, à busca de Deus e da vida eterna. Assim, enquanto percorria caminhos inóspitos por esse mundo, a pessoa em peregrinação acreditava que também diminuía a distância que a separava de Deus. Concomitantemente, para a cristandade medieval, as peregrinações eram peças importantes à união social, pois, de tão freqüentes, de forma parecida como acontecia com a liturgia, davam uma espécie de sentido de universalidade à sociedade religiosa da época (McGonigle, 1988, 149).

No caso das peregrinações cristãs, elas remontam aos primeiros séculos da Igreja e, originalmente, tinham como ponto de chegada destinos considerados sagrados, como a Terra Santa, por exemplo, onde se encontra o Santo Sepulcro, local que, segundo a fé cristã, Cristo fora sepultado, ressuscitando posteriormente (McGonigle, 1988, 148). Mais tarde, outras localidades, túmulos de Santos, por exemplo, como os de Pedro, Paulo e Tiago, também assumiam o status de locais sagrados, incentivando a existência de um número cada vez maior de peregrinos. Entretanto, de todos os centros medievais de peregrinações, os principais eram mesmo os caminhos que levavam a Roma, a Jerusalém e a Compostela. A própria história das peregrinações da Idade Média Central, sobremodo dos séculos X, XI e XII, pode ser resumida a esses três destinos (Franco Júnior, 1990, 83).

sao_jeronimoQuanto à Igreja, num primeiro momento ela parece dúbia em relação à prática. Por um lado, o patriarca São Jerônimo é um dos primeiros exemplos de incentivo às peregrinações, assegurando que era um verdadeiro ato de fé orar onde os pés de Cristo tivessem pisado. Ele mesmo, após se transferir para a cidade de Belém, costumava receber, seguidamente, caminheiros em sua cela, oriundos das várias procissões que por ali passavam. Eram muitos os viandantes que se dirigiam ao seu claustro, com o intuito de lhe render homenagens. Por outro lado, nem todos consideravam válidas as peregrinações. Outro pai da Igreja latina, Santo Agostinho, classificava-as ora como irrelevantes ora como perigosas, sendo acompanhado em sua opinião por boa parte dos patriarcas gregos (Runciman, 2002:47). Em que se pese a palavra do Bispo de Hipona, a cristandade da Idade Média é inteiramente marcada por peregrinações.

Inicialmente, as peregrinações religiosas constituíam exílios voluntários, motivadas por pura devoção. Tão forte era a mentalidade e a convicção daqueles que partiam em peregrinação, que a Alta Idade Média conheceu peregrinos os quais recusavam qualquer modo de vida, senão o errar ex pátria.(3) Todavia, após o século XI, uma outra forma de peregrinação viria a se tornar bastante comum: a peregrinação penitencial. Essa nova forma de peregrinação era imposta, às vezes como duras punições públicas,(4) pela Igreja àqueles considerados pecadores (Zumthor, 1994, 178 ) e merecedores de tal sina.

Portanto, aos poucos, a Igreja passaria a endossar o costume das peregrinações. De fato, assim procedia a Igreja. Sempre avaliando, julgando e adequando costumes à sua lei, de modo que, depois, pudesse fazer com que aqueles mesmos costumes servissem aos seus propósitos. Nesse sentido, as peregrinações acabaram por constituir um eficiente instrumento para o estabelecimento da Cristandade por quase toda Europa.

Notas:

1) Inicialmente, ainda na Alta Idade Média, as peregrinações eram voluntárias. Depois, entretanto, outro tipo de peregrinação ganhou vez: a peregrinação penitencial.

2) Ressalte-se que nem todos os peregrinos eram de fato miseráveis. O fato de vários nobres e membros da realeza partirem em peregrinação também deve ser mencionado. Como exemplos, diversos personagens de fama fizeram o caminho para Compostela, como o Guilherme X (Duque de Aquitânia), Luis VII (rei de França), Alfonso IX de Leão e Castela e tantos outros. Ao final da Idade Média, vários Cavaleiros também empreenderam peregrinações a locais sagrados. Os motivos desses, porém, eram mais turísticos que devocionais (Zumthor, 1994, 186).

3) “sem terra própria” ou sem pátria. Etimologicamente, o peregrinus é aquele que não tem pátria, expatriado ou exilado, alguém que onde quer que esteja é considerado estrangeiro (Sot, 2002, 354). Apenas na passagem dos séculos XI e XII é que o termo assumiu o significado de “viajante religioso” (idem, 355).

4) Quando os pecadores eram submetidos a peregrinar carregando fardos, grilhões, correntes, etc.

Bibliografia:

FRANCO JÚNIOR, Hilário. Peregrinos, Monges e Guerreiros: feudo-clericalismo e religiosidade em Castela medieval. São Paulo: Ed. Hucitec, 1990.
MCGONIGLE, Thomas D. A History of the Christian Tradition. Paulist Press, New Jersey: 1988.
RUNCIMAN, Steven. História das Cruzadas Vol. I: A Primeira Cruzada e a Fundação do Reino de Jerusalém. Rio de Janeiro: Imago, 2005.
SOT, Michel. “Peregrinações”. In: LE GOFF, Jacques; SCHIMTT, Jean-Claude. Dicionário Temático do Ocidente Medieval vol II. Bauru: EDUSC, 2002. pp 353-366.
ZUMTHOR, Paul. La Medida del Mundo. Cátedra, Madrid: 1994.

gotica_a_negratribui-se ao poeta italiano Francesco Petrarca (1304-1374) a origem da expressão posteriormente transformada em “Idade das Trevas”: tenebrae era a forma – um tanto que desdenhosa e irônica – escolhida por este notável escritor medieval para se referir aos séculos que o antecederam. Depois, outros também chegariam com novos apelos designativos, na tentativa de classificar o período histórico que os distanciava da Antiguidade Clássica: aquele era o media temporum, o “tempo médio”, afirmavam. Em seguida, no século XVI, cunhava-se finalmente o termo Renascimento para se referir aos novos tempos dourados que, segundo se acreditava, naquele momento surgiam. Assim, aos poucos, um longo período de cerca de 10 séculos passou a ser considerado mero tempo intermediário, uma idade média isolada, grosseira, onde nada de útil havia acontecido, obscura, a separar o áureo renascimento da gloriosa antiguidade. Logo, o simples desdém se transformaria num verdadeiro preconceito e a Idade Média, cercada por estigmas, viraria sinônimo de escuridão: a Idade das Trevas.

Tais estigmas perduraram por bastante tempo. Porém, graças ao trabalho de vários historiadores (aos poucos falarei sobre eles), sobremodo a partir do século XX, hoje podemos abordar a Idade Média com uma perspectiva mais interessante. Ressalte-se, a nova abordagem não quer dizer proselitismo medieval. Não há uma “defesa da Idade Média”. Apenas vale enfatizar que bem mais existiu ali, além de obscurantismo. Por exemplo, foi nessa época que boa parte da filosofia, como a de Aristóteles, foi encontrada e recuperada; é na Idade Média onde estão as raízes de nossa ciência, quando o homem começou a pensar de forma mais metódica; lá foram construídas as grandes catedrais e no medievo nasceram as grandes cidades européias, suas universidades; há a Cavalaria, seus feitos e ideais, suas lendas e muito mais. As conquistas medievais lançaram os homens europeus às grandes navegações e permitiram a estes a descoberta de novos mundos. Foi a Idade Média que formou e nos deu Nicolau Copérnico (1473—1543) e, de certo modo, foi sua cosmologia a responsável por lançar o homem em busca de mais conhecimento.

Na imagem usada mais acima, no topo da página, vemos um peregrino medieval, certamente monge, que se arrisca, arrastando-se para além dos limites do mundo conhecido. Em suma, penso nessa ilustração como uma síntese do que ocorreu com o homem ao longo daqueles dez séculos de media temporum, pois o medievo é o período histórico no qual o homem, mesmo claudicante e embrutecido pelas condições de vida, arrisca-se em querer conhecer mais, além daquilo transmitido pela autoridade, pelo conhecimento estabelecido.

Tudo isso e muito mais é o que forma a Idade Média. Apresentar um pouco desse conjunto é o propósito deste blog: arrisco-me a chamá-lo de medievalismo.

Blog apresentado, aqui vamos nós…

Um grande abraço.

Carlos Raposo

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Nota: a imagem usada no blog é um detalhe de Universum, cuja autoria é desconhecida. Ela se tornou famosa a partir da publicação da obra do astrônomo francês Camile Flammarion (L’Astronomie populäire, Holzschnitt: Paris, 1888). A imagem foi colorizada por Hugo Heikenwaelder, apenas em 1998. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:Universum.jpg.

. Initiatio

Olá amigos.

Estou preparando um pequeno blog, onde pretendo falar um pouco sobre história medieval, bem como sobre lendas e demais temas da fascinante Idade Média.

Caso queiram sugerir algo, baste deixar um comentário por aqui.

Até logo!